sábado, 19 de março de 2011

Falida Vontade


Agora eu estou muito cansado
De tudo, do riso e do choro
Até a poesia ficou no passado
Rúido morto do maestro sem coro
Esta poesia é sem métrica e doente
Se é que ainda é poesia
A caneta é livre só na forma
Mas presa na limitada mente
(Que já não reza, não canta e não ora)
(Sem inspiração, cansada de rotina)
(Não teme e nem faz mas a hora)
(Escrevo com preguiça cretina)
Nem o cansaço que azia
Mas a falta de estímulo
Se torna só me trás letargia.
Como velho aspirando o túmulo
Estou enjoando de tudo
Pra que servirá viver tanto?
Repetido tudo como chato estudo
Preciso fugir, renovar o espanto
E é isso, dane-se a obrigação, este estorvo...
Danem-se o proibido e o dever da rotina
...pois o cansaço na mente é pior que o do corpo
Dane-se a teoria da reencarnação, que sina!
Viver as vezes cansa
Como o pêndulo do relógio
Que balança
Faz dedos estrangularem-se
D`angústia de ver repetições
acumularem-se
Dane-se o velho e a experiência
Melhor sofrer o inédito do que sorrir
No mesma prévia consequência
Pra sonhar mesmo quero dormir e dormir
O que é ser feliz ? Se não uma boa inconsequência!
O carinho repetido é como insistente mosca!
Dane-se a vivência repetida e limitada!
Dane-se quem odiou esta mensagem tosca!
Dane-se este que escreve de mente resumida e cansada!
(Porque eu também odiei sem querer)
(Vontade é o tudo e profundo)
(A Verdade é a verdadeira vontade do ser)
(O grande tesão e sintoma do mundo)









terça-feira, 15 de março de 2011

Dia de fúria


Eu não preciso de motivos
Eu não preciso de razão
Eu só preciso chutar algo
Pra aliviar um coração

De madrugada em minha cama
Eu não consigo dormir
Já acordo estressado
E com a mente a ruir

Minha namorada me trai
Com meu melhor amigo
Na prova tirei dois
E no emprego despedido

Dia de fúria
Eu tô com o sangue na cabeça
Dia de fúria
Sai da frente ou se arrebenta

Meu violão empenou
Estou com uma espinha na testa
Meu dinheiro acabou
E meu rádio não presta

Meu peixinho morreu
Fui assaltado na esquina
O meu time perdeu
Mas que absurdo de vida!

Vou contar até dez
Para tentar me acalmar
Mas quando eu chego no três
Me dá vontade de gritar

Dia de fúria
Eu tô com o sangue na cabeça
Dia de fúria
Sai da frente ou se arrebenta

Eu não busquei os motivos
Eu não busquei a razão
Me enfureci e nada disso
Aliviou meu coração

Por isso é melhor
É tentar se acalmar
Pois arrebentar as portas
De nada vai adiantar

Por Daniel Brito de Oliveira (meu velho)

(Versão musicada Heron Salomão)