segunda-feira, 28 de dezembro de 2009

ODE AO VINHO

Pra lembrar das belezas de Febo,
Enquanto o paladar enólogo experimenta,
Do belo sangue da vide bebo
Como vampiro de garganta sedenta.
.
Drenado fostes de montes viníferos.
Brioso mosto que à sanidade transforma.
Puro como fonte de aquífero,
Traços de rubí em líquida forma.

De maceradas uvas escorres carmesim.
Corado em carvalho de barris, tua prisão.
Libertado para a taça diante de mim.
Vil combustível de breve satisfação.

Dos vinhedos maduros se extrai devaneios,
Que por ti, bêbados morrem sozinhos
Tentando esquecer lembranças e anseios
Com amigos pro tédio e a sede pros vinhos.

Óh, álcool vínico que mata a sede dos bacanais!
Tua mancha rubra em roupas desastradas
Já se fez ver nos carnavais,
Onde amantes boêmios dão gargalhadas.

Por tuas uvas o mosto é conhecido.
E a tua essência forte se apega
Nos barris, por tempo e mêses envelhecido
E à luxúria e excessos nos entrega.

Tuas essências são uvas valorosas:
Cabernet Sauvignon, Riesling, Sirah,
Tannat e Malbec das América, apetitosas,
Sauvignon blanc e Pitot Noir.

Chardonnay e do porto, alentejo
Vítae de tez cruenta e sublime sabor
Carménère suave do víneo desejo
"- Et bon apetit avec merlot."

Vinho de festas, nos saraus desejado.
Tua história remonta reinado e relicários
E os amantes do teu vítae encorpado:
Santos, malditos, pecadores e vigários.

Tua imagem escarlate fomentou seu fascínio,
Como o Nepente Sagrado em cálices verteu
Sovre vis e dignos teu brilho sanguíneo
E até Deus feito homem teu suco bebeu.

O fruto da vindima do vinhal
É o alento de urbígenas vesânicos,
Que perambulam esborniantes tal
Como videntes em transes xamânicos.

Doce na boca, amargo na barriga.
Efêmero alento, insuflador de riso pleno,
Analgésico da lamúria e da fadiga,
Idílio ponche do vasto Holoceno.

O gosto da uva engana a tristeza.
Essa que invade minh'alma com brutalidade,
Mas basta uma garrafa de vinho de mesa
Pra dar-me copos de felicidade.



*Comemorando um ano deste Blog,
deixo um dos melhores poemas q tenho
agradecendo o natal e ao novo ano, período
em que as pessoas fazem algo q nois, enólogos
fazemos sempre, bebemos vinho toda semana.rsrs...