segunda-feira, 27 de julho de 2009

POEMA SEM SENTIDO

Ó poema feito às presas sem pensar
Por um moço bêbado e afligido
De fantasias a procurar

Bocas loucas que falam intermitentes
Às molezas, festas, da agonia fremem
Na pobreza de suas mentes

O caminho ainda é tão vasto à frente.
Do pó que eu traguei só vai
Me lembrar a rubra semente

O que eu quero eu já não quis
Corpos em profundo coito onírico
Misturam-se e pedem bis

Meu dinheiro se desmancha pelas noites
Os meus pés estão doendo
E o meu corpo como em açoites

Veja só até onde foi o menino
Que só queria ser especial
Mendigo por um desatino

Será que tudo precisa de sentido
Se cada um sempre muda e
Interpreta o preferido

De repente este poema você lê
E não sabe o que significa
Mas tem sua forma de ver

Então se conforme como pode ver
Pois seu estilo de enxergar
Faz a sorte e o azar acontecer

Um poema sem sentido se alteia
Com o deus do vinho ainda
Fluindo pela minha veia

O vinho e o sangue se acham no meu rosto
Da noite passada, na boca sedenta
O beijo sujo de mosto

Palavras vazias nas areias da estrada
A sombra do amor se enxergou
E a luz do foco ela navegou

Mas um raro amigo doce que parte
Deixa um vácuo com o motivo
Que o meu coração se reparte

Um poema sem sentido ao leitor
Quando este se depara diante
De tantos sentidos do autor

Sem a rima ou regra preferida
Como a vida sem regra, sem previsão,
Nos assusta com sua corrida

O talento não é mais que um desalento
Deixado pelo sobejo de deuses
No homem, o seu vil experimento

Ó vida que chora e sorri insana
Trás pra mim um sentido objetivo
Me faz atingir meu nirvana

Ainda ébrio enquanto escrevo
Bebendo Hendrix e ouvindo vinho
Esses rabiscos me atrevo

Logo logo essa dúvida acabará
Ressacada física e psicológica
A dor de cabeça virá

Só queria por três dias dormir em sigilo
Esquecer desse tosco Holoceno
E visitar o onírico tranqüilo

Já sou o mesmo do ontem futuro
Deixei o doloso passado de amanhã
E recuperei meu caminho duro

A gratidão, a mais sábia das qualidades
Que ensina ao próprio instrutor
Os raros prêmios das felicidades

Um poema mesmo sem sentido
Parido, cuspido, criado e borrado
Mostra sentido em não ter um sentido
Quando todos ainda sentem um bocado
De expressões com o passado sentido
Das lembranças do sentido intocado

Pois todos sempre sentem um passado
Dando sentido ao que não tinha sentido
Mesmo que não se escreva esse dado

Hoje meu suor é sangue escuro
O cruor de uvas fermentadas
Tragado no raiar do obscuro

Mas quero é beber dos fartos seios,
Farejar o odor desnudo da musa
Que permeia meus secretos anseios

Nesse poema de vontades em vapor
Sem sentido, com cem sentidos
Soltos na minha boca no sabor

De frases loucas, na palavra abrupta
Cem sentidos em cem linhas e sem linha
De pensamento ininterrupta

A chaga de morte que sara meu orgulho
Trás para mim só o sabor do mel, do fel
Do mar de prazeres onde mergulho

E a coruja me ensina na noite voar errante

Num coração que é profundo
Com uma lanterna de Hierofante

Lágrimas servem de tira-gosto na língua
Desandando o sabor do Malbec 2002
Num pranto onde o riso morre à míngua

O sol cresce, meu dia aquece na terra nua
No mar se deita, no horizonte fervente
Roxo por ter levado um soco da lua...


...E o GIRAMUNDO virá finalmente



segunda-feira, 13 de julho de 2009

AMOR PE[r]DIDO


Jovem ainda é minha vida
Um poço já velho de amarguras
Lamuriante sempre é a despedida
Insuportável foi minhas torturas
Ao menos agora posso voar
Não relembro tanto o susto
Ante árduas perdas a me sufocar
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Vestígios de um amor augusto

Ontem e dantes chorei d’olhos lassos
Lamuriando o suplício desse fracasso
Tal fora meu amor ver em alheios braços
Acorrentado à cerviz e o cansaço
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Por Cristo, ó Deus escuta-me
Rogo-te o divino perdão
À nova chance imputa-me
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Mui poluto fui com teu galardão
Isola-me desta dor de guilhão
Meu genuíno amor entrega-me.

quinta-feira, 9 de julho de 2009

POEMA DE 10 SEGUNDOS

HUM...
1 2
1 2 3
1 2 3 4
1 2 3 4 5
1 2 3 4 5 6
1 2 3 4 5 6 7
1 2 3 4 5 6 7 8
1 2 3 4 5 6 7 8 9
1 2 3 4 5 6 7 8 9
DEZ!

terça-feira, 7 de julho de 2009

José Maria Nascimento e a Morta Lepidóptera


Na urbe via de passos e pisadas
Sob o sol, bela e quase esmagada
Morta rente beira das calçadas
Jaz uma robusta borboleta anilada

Que mirando interrompi meu passeio
Vendo o seu belo azul aveludado
A ponta do pé, toquei por receio
Pensando em guardar seu cadáver ornado

Ladeando a Igreja de São João, vigário
Pensei como teria ela morrido?
Tombato de acima do campanário?
Ou de algum cravo peçonhento bebido?

Breve, tive logo de me apressar.
Pois que de várias tarefas lembrei
E a esta mortuária voadora abandonar
E aprumando o passo a deixei

Sem exulto, nem paz, nem calma
Problemas a resolver demais
Que lembrando torturam-me a alma
Mesmo andando na “Rua da Paz”

Me vem atrás outro transuente
Elegante em cabelos de lã, um nobre senhor
Olhou-me cutucando a lepidóptera decadente
Lembrou-me do brio de meu finado avô

Deteve-se à contemplar a miúda criatura
Apenas admirando, pensei eu
Mas acolheu às mãos com candura
Num gesto mais nobre que o meu

Entretido põe-se a fita-la
Como menino ao ver brinquedo
Ou um deus tentando ressuscita-la
De vislumbre, sem pranto ou medo

Que deverá ser tal caridade?
Pois pior que da borboleta a morte
É o tamanho da minha curiosidade!
Sem tempo de perguntar! Sem sorte!

Perguntarei a ele depois sobre isso...
Seria a borboleta inspiração dum tema?
Mas a resposta, de veras nem preciso...
Lhe escreverei uma carta em corpo de poema.

“- Passando na Rua da Paz
Que fizestes poeta tu?
“- Com as tuas mãos emparelhadas
Cataste a borboleta azul?”

Causa disso lembranças ressuscitou-me
Lembrei d’outra borboleta que havia morrido
Que muito amei e o destino tomou-me
Pensando em um amor perdido

[Escrevo]
Para agradecer de tal belo momento
Evocando-me da cintilância enlutada
Plumas azuis no meu pensamento
Que a vida deve ser valorizada

quinta-feira, 2 de julho de 2009

Rio Una


Rio una
Belo rio claro de borda verde e serena...
Teu fundo é macio e lençol de segredos
Em tua margem banha índia-morena

Rio Una
Procurei a guerreira amada por aqui
Pelas areias brancas da trilha muda
Tuas florestas abafadas percorri
E teu caminho de torrentes me ajuda
Encontrá-la banhando, eu consegui
Nos véus da Cachoeira do Arruda

Rio Una
À aquela índia única me una
Em uma una emoção,
Eu e ela, no teu leito de escuma
Me una a ela Rio Una.
Quando voltar pra Morros
Minha verdadeira fortuna.