quarta-feira, 21 de janeiro de 2009

A Derrota do guerreiro


Uma espada pode durar pouco; mas o guerreiro precisa durar muito. Por isso não se deixa enganar por sua própria capacidade, e tenta evitar ser apanhado de surpresa. Ele dá a cada coisa o valor que ela merece ter. Muitas vezes, diante de assuntos graves, o demônio sopra
em seu ouvido: “não se preocupe com isto, porque não é sério.” Outras vezes, diante de coisas banais, o demônio lhe diz: “você precisa dedicar toda a sua energia para resolver esta situação.”
O guerreiro não escuta o que o demônio está dizendo.
Ele é o mestre de sua espada. Um guerreiro não anda com quem lhe quer fazer mal. E tampouco
é visto em companhia daqueles que lhe desejam “consolar” por motivo da derrota.
Evita quem só está ao seu lado em caso de derrota. Estes falsos amigos
querem provar que a fraqueza compensa. Sempre trazem más notícias. Sempre tentam destruir a confiança do guerreiro - sob o manto da “solidariedade”. Quando o vêem ferido e triste, desmancham-se em lágrimas, mas no fundo de seus corações, estão contentes porque o guerreiro perdeu uma batalha. Não entendem que isto faz parte do combate. Os verdadeiros companheiros de um guerreiro estão ao seu lado em todos os momentos, nas horas difíceis e nas horas fáceis. Quando o momento do combate se aproxima, o guerreiro está preparado para todas as eventualidades. Analisa cada possibilidade, e pergunta: "seria eu capaz de me vencer???" ”Desta maneira, descobre seus pontos fracos. Neste momento, o adversário se aproxima; traz a bolsa cheia de promessas, tratados, negociações. Tem propostas tentadoras e alternativas fáceis. O guerreiro analisa cada uma das propostas; também procura um acordo, mas sem perder a dignidade e se a perde está camuflando uma estratégia. Se evitar o combate, não o fará porque foi seduzido mas porque achou que esta era a melhor estratégia. Um guerreiro não aceita presentes de seu inimigo, mas respeita aqueles que possuem certos méritos. O guerreiro toma cuidado com as pessoas que acham que podem controlar o mundo, determinar seus próprios passos, e estão certas de conhecer o caminho. Elas estão sempre tão confiantes em sua própria capacidade de decidir, que não percebem a ironia com que o destino escreve a vida de cada um. O guerreiro deve ter sonhos. Seus sonhos o levam adiante. Mas ele jamais comete o erro de pensar que o caminho é fácil e a porta é larga. Sabe que o Universo funciona como funciona a alquimia: "solve et coagule", diziam os mestres.
”Concentra e dispersa Tuas energias, de acordo com a situação.”
Existem momentos de agir, e momentos de aceitar a derrota.
O guerreiro aprende a perder. Nisso, toda derrota sempre será
um novo aprendizado dolorido e ofuscante para a luz de sua alma. Ele não trata a derrota como algo indiferente, usando frases como “bem, isto não era tão importante”, ou ” na verdade, eu não queria mesmo isto”, ele não nega seus desejos à ninguém como os covardes. Aceita a derrota como uma derrota, e não tenta transformá-la em vitória ou experiência esperada. Amarga a dor dos ferimentos, a indiferença dos falsos amigos, a ausência dos verdadeiros e a solidão da perda, Ele está sozinho agora diante de seus problemas, e segura suas vísceras saltantes do terrível ferimento sem ninguem por perto para lhe socorrer. E passa então a batalhar imediatamente outra batalha incesante, contra a própria dor da derrota e a solidão de quem perde um tesouro. E pior sentimento para o guerreiro será este de sentir-se inútil, sentir-se um lixo-vivo, seu orgulho ferido, sentir-se um derrotado...Nestes momentos, diz para si mesmo: ” lutei por algo, e não consegui. Perdi a batalha.” É a única coisa que, como que engolindo um espinho, se vê obrigado a dizer... Esta frase não irá lhe dá forças, só mostrará sua honra e dignidade. Ele sabe que ninguém ganha sempre e nem mesmo os corajosos sempre ganham no final. E mas irônico ainda é a oportunidade que certos guerreiros, mesmo covardes possuem de conquistar batalhas e reconquistar coisas de valor... ...e o guerreiro valente o adimira por isso, por ter feito o que o guerreiro valente não conseguiu fazer, mesmo que o covarde tenha vencido uma batalha relativamente mais fácil que a do valente... ...daí adimite-se que há além da destreza de ambos, o fator sorte...
Mas um apredizado nunca se terminará: o da derrota e de sentir-se derrotado e sem poder fazer nada no meio de uma batalha... ...aprendizado doloroso e sublime: sendo cada uma diferente de outra.. aprender a vencer é bem mais facil do que perder.. ...e tanto quanto saber a hora de desistir, a hora que a espada se parte.. ...porém, para qualquer guerreiro de verdade...
"melhor seria a dor de mil golpes e humilhações obtendo a vitória, do que receber apenas um arranhão e perder a batalha."
Ao contrário de bravos guerreiros que admitindo a derrota, fogem do combate,
para tentarem depois outra batalha contra o mesmo inimigo, mesmo não tendo certeza de que terão uma nova oportunidade, outros mesmos desarmados continuam apoiando os joelhos escoriados com armaduras em farrapos no campo de batalha, só para não morrerem
prostrados diante do inimigos... ...esses que dão a última gota de sangue.
...estes são os maiores guerreiros.
...estes são os que sempre serão lembrados.


segunda-feira, 12 de janeiro de 2009

Soneto da EquiVocação

Ludibriando meus propósitos errados
Numa pesquisa ideológica em busca
Da resposta brilhante que ofusca
Adio a dor e a dúvida dos dias dados

E dos dados diários, entorpeço-me em estigmas
Omitindo a minha responsabilidade óbvia
De ser responsável pelas minhas próprias
Convicções, na forma disforme de paradigmas

Pré-conceituadamente convencionados.
Pela marionete-sociedade dos globalizados
Sou o “livre-escravo-burocrata-capital”

Vivendo constantemente em árdua batalha
Sob olhar insigne do algoz que não falha
Trazido por este regime neo-liberal.