quinta-feira, 18 de dezembro de 2008

Eclipse de Ti


Esta noite vou-te eclipsar aos olhos da lua
Cobrindo teu corpo com o meu corpo nu
E assim a lua nunca saberá que tu
Vieste até aqui namorar à minha rua
Beijar-te-ei sem que ninguém nos veja
No doce segredo de apenas nós os dois
Para esquecer por inteiro de ti depois
E a bela Lua por não ver não terá inveja
Seja esse eclipse até aos olhos de Zeus
E de todos os magos duendes e ateus
Na despedida ardente da minha paixão
Te despedindo de todos os sonhos meus
Será eclipsado teu e meu coração
Amor é uma planta que no escuro morre
Por isso só o novo sol socorre
E a lua para chorar não tem mais razão.

quarta-feira, 10 de dezembro de 2008

"POEMA AO MAR"



Velho mar que cobre o mundo
Que bramas e sorve espumas possantes
Sufocando o lamento profundo
De lágrimas e suspiros delirantes

Velho mar tão velho e belo
Bravo, vivo e sussurrante
Do raiar sol e abismo sois elo
Em mistérios da tua capa espumante

Mar de segredos, calmo e buliçoso
Na praia sempre à ver tuas ondas
Me sento murmurando o cochicho misterioso
Das minhas dores que a ninguém tu contas

De tu que falam as velhas lendas
Nas melodias da tempestade
Banham os felizes trazendo oferendas
Nas tuas orlas de imensidade

Mar êrmo de rosnar sonolento
Que permeia barcaças e naus
Leva ao longe este lamento
Além do sarcasmo dos maus

Mar sonâmbulo de várias cores
Quero sempre molhar-me em teu sal
Pois que me parece lavar minhas dores
Envolvendo e expulsando-me o mal

Musêu és de muitas jornadas
De heróis, intrépidos e mercenários
Cruzando entre noites e alvoradas
Amores, pelejas e corações solitários

Nos sujos galeões entre jóias e pratas
Maneja a corda a mão do corsário
Alçada eleva-se a flâmula pirata
Anunciando visão do profundo cenário

Ó mar, onde deslizas o valente e o vagabundo
Contam espadas, dos canhões a fumaça
Que bebeste do sangue do mundo
Derramado pelos rufiões desta raça

Vendo este colosso de águas penso
Tu que sepultas o mal e o bom
Como pode ser assim tão imenso
Se não fosses as lágrimas de Posseidon(?)

Também és gigante melancólico e maldito
Em mansões de esqueletos dormindo
Rei Netuno, sonhador do infinito
Em saudades trazendo e partindo

Meu amigo mar que arcanos meus confesso
Ouve minha tristeza em meu corpo que flutua
Tu que andas feliz, vos peço
Sendo agora o namorado da lua

Ó mar que tantas areias molhara
Teu abraço frio e encharcado
Em tapas rompantes na minha cara
Rugem como dum amigo desencarnado

Mar ancião de tristonha calmaria
Na areia inclinado ouço das ondas rumores
Comtemplo por horas tua maresia
É quando me sinto livre dos desamores

Tudo nunca é tão bom, nem tão mal, um calafrio
Ondas calmas, banzeiras zangadas, horror
Me fazem achar que a vida é um navio
Quero partir então fugindo seja pra onde for

Velho mar que espelho sois do céu
Mar de sonhos, de águas inquietas
Encobre tanta vida sob teu lasso véu
Mundo escuro de criaturas secretas

Mar laranja do lindo horizonte
Quando finda do sol o reinar
Em crepúsculo a mim de fronte
Na vista doirando o olhar

Grande mar de balazas insondáveis
Leve-me embora em tuas jornadas
Pr'além das ilhas inefáveis
E destas terras tumultuadas

Pois minha vida tem desgostos
Que só eu sei compreender
E quando retorno sempre pra terra
Parece que vou perecer

Mares, ilhas sempre que as vejo
Praias desertas, não sei por que será
Que sinto o mais ambicioso desejo
De poder um dia fugir pra lá

Mar lindo, obra de Deus
Casa dos peixes e dos tritões
Quizera as vezes eu transformar-me em peixe
Pra habitar em teus pavilhões