terça-feira, 25 de novembro de 2008

Nordeste

Sentado a beira do caminho
Os pés rachados em cima da poeira
Sem canto, sem sina, sem ninho
Contemplando do mundo a sujeira

A carroça vai logo passando
Levando embora a lembrança
No pau-de-arara balançando
Caboclos suando a esperança

Jaz no nordeste brasileiro
O cansaço da dor angustiada
Do menino-homem que por dinheiro
Já aprende cedo a pegar na enchada

Ordenhando as cabras entre espinhos
Vai o jagunço sorrateiro
caçando a raposa em seu ninho
Pra proteger o galinheiro

A estrada é pedra, piçarra e lama
Bosque farpado, caatinga cinzenta
Vendendo suor barato e sem fama
Do trabalho lavrado que o esforço aguenta

Nordestinos, sois heróis desconhecidos
De semblante crespado e resistente
Não se acovardam de menos favorecidos
Na vida difícil do nordeste quente

Acordar na hora junto dos passarinhos
Volvendo a roça, em terra nos pés
Firmando o arado, num jumentinho
fadiga, do nascer do dia através

Meu nordeste tão querido!
Onde mães pranteadas choraram
Resiste só o cacto ressequido
Das chuvas que atrasaram

Sertões de sede e sem viço
Inocente terra sem luz
Largue de mão o "padim ciço"
E va pedir a Jesus

Meu nordeste tão querido!
Vendo teu desespero, choro sozinho
Quando tenho em viagens ido
Sentado a beira do caminho

sexta-feira, 14 de novembro de 2008

só >>
eu
um vinho
confusão
mente sem mente
sem ninho
amigos ausentes
esperança puída
só >>
dor
andando
o vômito da angústia
abandono
noite erma e ébria
sentado na escada
esperança nada
só >>
falha
ressaca
migalha
temer
lágrima
quinta, reviver
Só >>
a vida não é sempre uma festa
o infarto da farta falta
quanta dor
o assassinato da flor
sem dó
não quero que chege o eclipse
onde fica o limite?
...sou muito forte, não consigo me vencer (Mea Culpa)

quinta-feira, 13 de novembro de 2008

LIBIDÓLATRA

Teu corpo, é labirinto formoso que quero explorar
Teu pescoço, fruta aromática de odor singular
Tuas pernas belo cárcere, onde quero escorregar
Tua boca, úmido instrumento de letargia
Que à minha tristeza morde e meu desejo sacia
Exalando suspiros da beleza mais bruta à meu fôlego tragar
Teu quadril a caixa de presentes que quero violar
Sentir teu sexo interior absover-me
Murmurando teus delírios e aquecer-me
Dou-te sangue, carne, nervo e osso
Sentindo a força do teu ventre em meu gozo
Faz-me brinquedo teu, no enlevo deste ato
Pois cheiro e suor teus são para o meu olfato
Arrebata meus suspiros na vontade em que morro
Sufoca-me, mata-me e não pedirei socorro
Te dou a potência do meu desejo, fazendo tua silhueta vibrar
E após profundo climax, te acalentar

09/07/08

terça-feira, 11 de novembro de 2008

MaryMina

Mary mina mary mina alegra minha vida
Esse teu jeito de alegrar o meu marasmo
Mary mina mary mina minha preferida
Tornou calmo e mais feliz tudo o que eu faço
Caminhando na praia, olhando pro mar
Te escondi nas dunas aonde
Te sinto, te cheiro

Teu corpo quero apertar.
Sentado na areia, contemplo. Que bela visão
Contigo ao meu lado fico extasiado
esqueço qualquer pertubação
momentos de paz em um planeta caos
meu sonho não é real
mais você mary tornou o meu real um sonho.
Quero sentir teu sabor na brincadeira
Esse teu jeito de alegrar o meu marasmo
Dentro do meu peito teu cheiro de mato
Tornou calmo e mais feliz tudo o que eu faço
Mary mina mary mina alegra minha vida
Esse teu jeito de alegrar o meu marasmo
Mary mina mary mina minha preferida
Tornou calmo e mais feliz tudo o que eu faço

O BANQUETE DA TEIMOSA DAMA

Meu amor é seta de feitiço
Que lanço no alvo em direção
Se esta não atinge, em vez disso
Rebate ferindo meu coração

Dele brota uma energia,
Inatinável aos físicos e matemáticos
Que pode gerar extrema alegria
E os males psicossomáticos

O amor é samurai, o mais destro espadachim
Mas se queres, investe para ele o destruir
Em admirável coragem(covardia), tentas esquecer de mim
E quase certo será teu engodo sucumbir

Põe agora em tua mesa nova toalha
Convocando outros pra minha cadeira sentar
Ilude-te, entretendo-te da migalha
E a todos, de teu sentimento ocultar

Teimosa dama diz não mais amar
Assim tentando vencer o samurai
Te engana sendo mister lembrar
Que o álcool entra e a verdade sai

Nesse banquete, jaz o vinho dos condenados
Que efêmeros amoricos teus exalta
Sem saber neres que estão sendo usados
Finges de inerte, sentindo minha falta

És tão, tola, traquina e tagarela
Que logra até teu próprio semblante
Mas não é isso que diz teus olhos
Delatando a tua felicidade inconstante

Apesar de teu sarcasmo e desdém
Digo “-Te amo”, pois não devo ninguém
Derradeira, minha luta talvez seja em vão
Mas não covarde, negando meu coração


Há hora de amar e hora de afastar
Tal como exército tombando em retirada
Pra poupar algumas fileiras hostilizadas
E rompante e súbito de novo atacar

E nova hora virá de em teu banquete eu vir
Teu amor reaver, novo enlevo tentar
Fazer tudo o que minha coragem permitir
Pra se resoluto te perca, me conformar

domingo, 9 de novembro de 2008

Alimento Estragado

Quando estou só, espionando no véu
Escuro da noite. Brota em mim
Um impetuoso poder estranho
Lembrando de uma silhueta enlevada
Num sofá no escuro, e um respeito desrespeitado.
"Letargicamente agitado,
Como um sol de gelo ou
Nostalgicamente esquecido,
É meu sentimento,
Uma erupção congelada."
Aprecio o sabor ruim de uma refeição que
Não comi e vomito as lembranças na escuridão
Mesmo de jejum meu estômago
Está lotado, e vou beber um vinho pra tentar digerir isso.
Impetuoso poder misterioso, gire a porra do mundo
E me traga a comida preferida novamente
Quero só mais uma nova chance,
Sou egoísta não vou dividir você com ninguém
Eu vou te comer imediatamente
Quando as chuvas de agosto voltarem
Não deixarei mais você estragar
Nem a guardarei na geladeira
Vou te comer com urgência
Vou te comer com tesão
Vou te comer com muita fome
Vou te comer com amor

REMENDO DE BASEADO


Percorrendo o caminho da vida, eu apressado e ágil,
Em emoções e ideologias vãs baseado
Não era eu básico, era um BASEADO e frágil.
O caminho descolou e o plano foi desarrumado

Quebrando de repente ao passo apertar
Vazando fora idéias do que estava combinado
É quando chega na vida a hora de improvisar
"Vamos remendar logo este baseado! "

Corrigir emoções, o erro e o devaneio
Refletir na vida e os seus momentos
Enrola o plano nos fins e gruda ele no meio
Valorizando todos nossos talentos

É para isso é preciso criação e coragem
Aproveitando o resto da racionalidade escassa.
A cola dos atos esta na língua malandragem
Ilumina o teu fosco que a tristeza passa

Sorriso Minguante






A lua atraente brilhava
Cintilante, no meio da madrugada
Brilhava minguante, me olhava
Sorriso curvo, pra agradar a alvorada

Apreciando o sereno lúgubre em conversas madrugadas jaz
Amigos ébrios na esquina escura repousam em paz
Momentos bons, oxalá Deus faz
E dê a quem não tem amigos mais
E por isso eu fumo, se me apraz, e se eu bebo eu bebo fugaz
Pois a noite atrás desfez a paz e ainda desfaz.
A levou e já não trás.
O brilho dos teus olhos
Que por ventura eu encontrei por sorte
Agora eu o vejo espalhado nas estrelas
Fulgurando de sul à norte

O cheiro e a umidade do teu paladar
Que murmuram as areias, nunca mais terei morada
Agora sinto apenas no gorjeio das plantas do luar
Nessa noturna alameda perfumada

E a lua sempre risonha, paciente e renovadora
Inspira-me a observá-la agora cintilando
Como a única testemunha perpétua do que fora
E ensina-me a viver esperando
A nova visita da alvorada
E a conformar-me com novos risos
Que teu manto negro trás na madrugada
Na lua minguante, me tirando o siso

R E V I V E R


Hoje eu vou para o reviver
Digo em algumas sextas feiras
Através da madrugada me atrever
A prazeres e soturnas brincadeiras

Reviver, olhares, rostos que não conheço
Gozando o som e as cores da boemia
Como eu errantes, sem fim, nem começo
Celebrar as amizades em minha companhia

Nessas pedras cantarias me sentei
Reviver a vida, o amor e o mal
Por que reviver é seu nome pensei?
Porque reviver é fundamental

Reviver o conto de amores de outrora
Relembrando a lua, o beijo e a rosa
Reencontrar amigos que foram embora
E rever que a vida ainda é gostosa

Quinta-feira dizem que “a vida é uma festa”
Tambores de Aruanda retumbam as janelas
Pensara eu que muita farra não presta
Mas quero o som, as cores e donzelas

Nos bancos da praça da Nauro Machado
O vinho e o fumo neblinam a razão
Malandros sob um céu estrelado
Confabulam aprisionando a solidão

Cada canto daqui evoca uma estória
Das coisas que faço e outras que fiz
Quando me vou guardo na memória
Retornando de novo aprendiz

Na escadaria sentando pra relaxar
Digo: “uma só garrafa não satisfaz...”
Abiodum diz:“é o que rapá...?”
Washingtom diz:“bora beber mais!”

Enfrentando a noite, entre sombras procuro
Tudo daquilo que à tristeza sobrepuja
Inquilino sou deste mundo obscuro
Um menino com alma de coruja

Reviver Baco, seu mordomos e concubinas
Revelar todas as paixões libertinas
Refletir na dor e alegria de momentos
E fomentar todos nossos talentos

Festejar o sorriso, o fumo e o mosto
Retirar todo o meu pranto do rosto
Hoje é segunda vou adormecer
Mas sexta-feira vou pro reviver

04/11/08




segunda-feira, 3 de novembro de 2008

Poema incompleto

Demorei pra poder desfrutar
Pra encontrar o que hoje tenho
E se ainda pertubo o cenho
É porque inda aprendo a amar

Fui bandeirante de traiçoeiras matas
Desfrutei frouxos romances vis
De donzela, senhora e meretriz
Tive somente beijos e línguas ingratas

Se hoje anseio ter te sempre perto
É por ventura que muito lembro
Das noites frias de janeiro à dezembro
E meu coração sem caminho certo

Quero ser agora um só coração contigo
Pois que não volta o tempo perdido
Aproveitando agora realizar teu pedido
Ser teu filho, pai, amado e amigo

Se um dia pensei ter um grande amor
É que teus perfumes já sentia
Sabendo que nalgum lugar tu já existia
Confiando com fé, com espera e dor

O jovem mago, o mestre e o amor


Bagatela não há para o amor
De sorte que se ganha-o sem pagar
E quando se perde, sofredor
É o que não lhe pode recuperar

Estes dias reencontrei o velho mestre
Que anos atrás só a mim ensinou
Magias e feitiços dum livro-teste
Contudo uma nem sempre funcionou

O velho olhou para mim dizendo
Esta magia não pude lhe ensinar
Os mestres estão até hoje aprendendo
1000 anos de treino pra aprender a amar

Ouvindo tal rumor me alarmei
Nem Hazelnut, o sábio eremita sabia
Por quanto tinha ensinado tudo o que sei
Mas o controle do amor não podia

""-Jovem plebeu!", não se desespere!"
Falou-me o antigo mentor
"-Não há receitas, apenas espere
E compreenderás a magia do amor"

"O pouco que lhe ensinei do muito é essência
"Teus mestre agora é o tempo e a dor"
"Que te discipula pela tua inconsequência"
"Sofres e aprende sem cessar teu labor"

Velho Hazelnut, não vá logo embora!
Ensine-me só mais uma nova magia
Não deixe-me só no pranto desta hora
Como livro-me de apagar tal agonia?

E o velho mestre sumindo me olhou
Meus olhos dando à minha boca beber
Compassivo e frio em último declarou
"-Não sei bem, mas ouve meu dizer:"

"Um amor é jóia por tua coluna alçada"
"E nesta está o mistério do seu durar"
"Mas há sempre outra coluna fadigada"
"Aguardando teu tombo, pra tua jóia ostentar"
"Se tua coluna ruir, à sorte te lança!"
"E nada podes fazer que te adiante"
"A outra coluna apeteces a queda com esperença"
"Pra que tu novamente tua jóia levante."

Dito isto o velho ançião se despediu
Eu agradeci a última preleção
Velho mestre, minha coluna já ruiu!
Como opero sua reconstrução??

Sou um tolo, parvo, esquálido e maldito
Não sei, nem conheço os ardis do galante
Em noites de fumo e cigarro ando aflito
Querendo esquecer minha borboleta brilhante


Não sou filósofo, nem pensador só escrevo um borralho
Apenas sei tocar meu velho violão sem tom
Só pra aliviar isso que dói pra caralho!!!
Não sou músico, nem poeta, sou apenas dom

Não tenho brio, brida, só o copo de Lieu
Que me entorpece a mente da lamúria
Pois perdi um coração que era só meu
Inferno da vida fiz. da alegria, penúria

Mas o velho entre as moitas evanesce
E diz:"Das minhas palavras não te esquece!"
"Perseverança e honestidade à tua alma enobrece"
"Logo tenha isso, terás o que merece".


Ao Amor Antigo

O amor antigo vive de si mesmo,
não de cultivo alheio ou de presença.
Nada exige nem pede.
Nada espera,mas do destino vão nega a sentença.
O amor antigo tem raízes fundas,
feitas de sofrimento e de beleza.
Por aquelas mergulha no infinito,
e por estas suplanta a natureza.
Se em toda parte o tempo desmorona
aquilo que foi grande e deslumbrante,
a antigo amor, porém, nunca fenecee a cada dia surge mais amante.
Mais ardente, mas pobre de esperança.Mais triste?
Não.
Ele venceu a dor,e resplandece no seu canto obscuro,
tanto mais velho quanto mais amor

Carlos Drummond de Andrade