terça-feira, 5 de novembro de 2013

TRISTE BEIJO NAS ESCADARIAS

Em qual dessas escadarias, cantarias, de prazer,
Ao saber que neste espaço o teu beijo fez morrer
Quem te amou, te fez viver,
Mas depois do pesadelo só queria reviver.

Mas teu beijo teu beijo desbotou do amor jovem, a paz,
Pois tua boca é que tocou o ardor de outro rapaz.
Nessas cantarias, rias, pois sabias que alí
Sepultavas o amor que eu tinha pra ti.

Qual dessas escadarias saberia me dizer
Com que beijo me roubastes a chance de reviver.

Postado por Hagareno [Antônio de Oliveira Barbosa Júnior]

quarta-feira, 3 de julho de 2013

INSTANTI EXISTERE

Onde está ela?
A inspiração que havia?
E a paixão por esta?
Fomentada pelo laço da agonia..

Quem sou eu agora?
Não rabisco mais
Como poeta de outrora
Que num passado jaz

Me querem só beijos atrasados
Do tempo de amores
Que já estão ultrapassados
Voltando com murchas flores

As chuvas de agosto
Vieram muito tarde
Tal prêmio póstumo e sem gosto
Para um morto que está em Marte.

Eu vejo em olhos esverdeados,
Castanhos e negros brilhando
Desejos que antes renegados
Almejam agora me procurando

Os destinos são cruéis
E já foram desenhados
Apagá-los é impossível aos pés
De inocentes empenhados

Nem anjos, demônios, nem Deus
Quererão reaver o passado
Nem mesmo os amores meus
Que acima dos seus foram destacados!

Só um novo amor virá
Limpo das máculas antigas
Esse somente Deus pode exaltar
Vindo de novas mãos amigas

INSTANTI EXISTERE






segunda-feira, 25 de junho de 2012

A VERDADEIRA POESIA



Quantos poemas perdi por não ter
Um papel, um lápis na hora certa
Ou o lábio e o braço que aperta.
...
Quantos poemas perdi quando ia planejando
Quantos ganhei, quando perdi, chorando...

Eis a verdadeira poesia, a da nenhuma certeza, da nenhuma
conclusão.
Aqui mais e mais, e de novo, e sentado, e andando, e falando
em vão...
...
E mais viagens, e mais visitas, e mas reencontros
desencontrados
Ingenuidade à serviço de falsos, malícia à serviço de
honrados

Não parece existir igual retorno entre Karmas sórdidos e faustos.
Com retratos da memória que andam por ai exaustos,

Mais um vinho, e mais noites velhas de vida nova e paixões,
Em noites de abandono de retratos, recompensadas em
reflexões

No espelho dos atrasos, de pressas inúteis, de descasos por
vaidade
Vida sã para controlar a loucura e vida louca para recarregar sanidade.
....Eis agora a verdadeira poesia:
A do choro congelado, a dum vento com barbas brancas, ainda
jovem, mas atrasado.
Da fumaça cristalizada do fogo sepultado e dum coração de
chumbo forjado.

Da água que suja e do relógio que angustiado espera,
Da solidão e do bouquet ocultos no meio de muitos abraços.
Sim, a flor apodrecida é de todas a mais sincera!!

Dum sábio vestido como idiota numa praça andando,
Dando conselhos a delinqüentes que estão lhe desprezando.

Donzelas que não possuem mais espelhos
E seus passos estão sem bússola e a cabeça sem cabelos.

Dos homens que agora são redundantes, cópias de cópias
E já não podem optar pressionados por outras cópias.

Dos livros que numa UTI de poucas visitas estão internados
No eclipse final do surgimento dos grandes poetas e
iluminados.

Do valor que não é mais concreto, mas abstrato, e da certeza
vã.
E da ciência como novo traje no teatro de satã,

Onde Deus parece mudo para os seus “surdos” atores patetas.
Do dinheiro que virou um deus e do Amor vendido à muitas
moedas.

Dos velhos inconformados que querem ser jovens atletas
E dos jovens que se sentem velhos se tornando poetas,

Últimos poetas débeis e sem forma como o desta escrita.
Da esperança que é uma velhinha charmosa, casta e
entristecida

Que ficou esperando o vento de barbas brancas chegar para abraçá-la,
E quando a velhinha morre o vento de barbas vai procurá-la

E, pensando que um jovem era um velho poeta escritor,
Lhe procura dizendo: Viu Esperança ? está ela viva ou morta
senhor?

E o jovem lhe diz: “Realmente não sei, é uma pena!”
Deixando o vento de barbas brancas surpreso com a cena

Que diz: “-acertaste o enigma não falando nem sim, nem não...”
“...essa é a resposta correta.”, lhe dando realmente uma “pena”
na mão,

Assim o vento diz: agora está pronto para escrever A VERDADEIRA POESIA,
Para que os sonhadores acreditem que Esperança jamais morreria.

Quando esperando por mim que sou o Sonho, o seu motivador
E para que os que lerem, entendam e saibam de cor

Que só se espera aquilo que é desconhecido e não se tem
certeza.
E que a esperança é uma emoção poética por natureza.

sexta-feira, 9 de março de 2012

Não deixe o carnaval acabar

O Amor
Coisa difícil de compor
Uma isca
Que o peixe ama e belisca
Doce boca farpada
Que beija e morde irada
Repentino torpor
Difícil de depor, pra se recompor
Difícil de equilibrar
E quando se equilibra, difícil de durar
Como amores de carnaval
Esse é o segredo afinal

Não deixe o carnaval acabar
O carnaval do seu interior
Não perca o choro, nem o riso
Não deixe o arlequim, nem o pierrot

O carnaval é profano, é trevoso
O diabo está lá dançando
Mesmo assim Deus bondoso
Aparece pra quem está precisando

Leve a Balaclava pra onde for
Seja palhaço, seja poeta
Joguinho chato esse tal de amor
Astuto, fingido, honesto e pateta.

Não deixe o carnaval acabar
Mas primeiro seja a você o valor
E veja até onde o beijo pode durar
Dizem por aí que todo carnaval vai passar

E se os dançarinos cansarem,
As máscaras caírem e se os músicos pararem...
E se o beijo com olhos-de-raposa fugiu
Então infelizmente siga outro trio

Mas não deixe isso ir embora
A verdadeira felicidade no final
É aquela que vêm de dentro pra fora
Não deixe acabar esse carnaval

terça-feira, 6 de março de 2012

Noites mau-dormidas, noites bem vividas

Noites mal dormidas
Noites bem vividas
De risos, de pânico, de solidão
De lânguido pensamento e saudade.
Letárgico corpo rolando ao chão.
Lágrimas que levam o futuro que não existiu.
E o passado que não irá ser corrigido
A fumaça de cigarro que não subiu
Um tempo de desejo fingido
Nos olhos do filhote
Eu te vi, não como todos lhe vêem
Não como tu mesmo te vê
Mas como eu, só eu te via
Cabanas de barros à margem da estrada
Com todo o tipo de dificuldade
Mas onde o amor faz morada.
Sacrifício, podreza e sinceridade.
Uma menina sentada na soleira
E um menino com ramalhete feito
Seria eu e você num conto
Por que só o conto é perfeito
Noites mau dormidas
Minhas noites bem vividas
Me lançei ao mar, novamente
À busca de nova terra à atracar
Em jangada velha, sem astrolábio e quebrada,
Só de estrelas vou me guiando
Navegando drinks 'té o nascer d'alvorada
Noutro brilho graças à Deus fui aprumando
(Pra mim não te enxergo mais Vésper)
Ó vesper já não brilhas mais em mim
Se perdeu o teu brilho de cristal
Pois que outra estrela ofuscou
Minha luneta no carnaval.
A "taça do ogre" agora é pura
De novas paixões à vida é viçosa
E avanço na sombra da lua escura
Navegando em água perigosa,
Aprendendo a não depender
Duma estrela só no aprumo
Do navegante sou filho, sem temer
Sigo entre sereias e ondas meu rumo (e idas)
Noites mau-dormidas, noites bem vividas.